sábado, 19 de dezembro de 2009

Coragem: quanto vale ou é por kilo?


Depois de acordar de péssimo humor, num sábadão de sol, e querer que o mundo se explodisse, resolvi escrever. Ainda não decidi direito sobre o que, mas a questão é que eu quero escrever.
As férias de verão estão aí, finalmente, depois de tanto desespero e cápsulas de guaraná com energético, consegui fazer o que eu tinha que fazer para fechar o semestre. Mais uma vez férias, e mais uma vez tédio. Algumas semanas atrás eu estava esperando pelo momento de chegar em casa e poder descansar na santa paz, somente morgando na frente da TV e fazendo coisas inúteis que tanto me apetecem. Porém, mal pisei no solo sagrado do meu lar doce lar e já comecei a apresentar sintomas de depressão crônica. Acho que toda vez que meu cérebro percebe que são férias, que estou em casa (ultimamente um sentimento de “a casa da minha mãe”) e que minha rotina universitária terá que ser deixada de lado por um tempo, ele entre em choque. É depressão, na certa.
É difícil morar fora e ter que voltar para a casa dos pais nas férias, e pior ainda é saber que é a casa DOS SEUS PAIS, que não se tem aquela liberdade de fazer o que se quer, na hora que se quer, e como e com quem se quer. Nesse período tão esperado de férias, voltamos a era do colégio e temos que dar satisfação e pedir permissão até para ir ao banheiro (para não escrever cagar, que segundo minha mãe, é uma palavra feia pra uma moça fazer uso).
Foda-se. Eu escreverei e direi cagar quantas vezes achar necessário e cabível a situação. A minha única preocupação é me certificar que minha mãe não está por perto. E ter que se preocupar nas férias é uma droga, convenhamos.
O esplendor das férias é justamente não ter preocupações, não ter que estudar para provas terroristas, nem virar noites fazendo aquele trabalho que foi passado há meses atrás. Correria faz parte da vida acadêmica. Noites em claros fazendo trabalhos ou curtindo uma festa, fazem parte da vida acadêmica. Férias não! Férias me remete ao bucolismo da minha cidade interiorana, rever amigos que também estão em férias, fazer nada o dia inteiro sem nenhuma culpa na consciência; sair para curtir os velhos lugares que nunca mudam e ficar reclamando a noite inteira que eles nunca mudam, apesar de adorarmos irmos até esses lugares, justamente porque eles nunca mudam e sempre trazem lembranças.
Férias é tempo de se gabar para a família, mesmo que timidamente, que eu estudo em uma universidade pública, que aprendo – ou me confundo mais – a cada aula e a cada dia. Mostrar que estou virando uma adulta, que moro fora e consigo sobreviver longe da saia da mamãe (mesmo morando em uma república e vivendo em um caos cotidiano que faz parte dessa vida universitária).
Mas não é assim, como no meu ideal de férias, que as coisas funcionam. Como eu já citei, sair de férias agora significa regredir no tempo, voltar à dependência total de quem, durante as aulas, dependo apenas economicamente. É não ser mais dona do meu nariz por três meses, mesmo com meus vinte anos nas costas.
Mas o que mais me irrita e até mesmo envergonha, é não poder ser a mesma pessoa que eu sou lá, na faculdade, aqui, na minha casa. É praticamente inadmissível para minha mãe que eu tenha mudado, que o fato de eu ter morado seis meses fora do país, de estudar em outra cidade, de conseguir me virar com os problemas cotidianos possam ter me atingido de alguma forma. Para ela, eu sou aquela menina do colegial que estudava bastante, saia só as vezes e nos finais de semana e andava sempre com a mesma turma de amigas. Mãe, tenho uma coisa a confessar: eu mudei! Sério, eu sei pensar por mim mesma agora muito bem, descobri meus limites, dei a cara a tapa muitas vezes, e muitas vezes levei o tapa, e aprendi a continuar de pé sozinha – e, claro, com a ajuda dos amigos que descobri serem minha segunda família.
Eu queria ter coragem de dizer que sim, eu gosto de festas, eu fico bêbada nessas festas, eu me divirto horrores, eu estudo bastante também, eu tenho minha bagunça organizada e convivo muito bem com ela. Eu também falo palavrões, eu grito, eu xingo, eu me irrito com as pessoas, eu me apaixono, eu tenho rolos amorosos, eu também me decepciono com eles.
Mas eu sinto muito, eu não sou tão corajosa para dizer isso, e vocês, pais queridos, não estão e não são o tipo de pais capazes de entender isso. Sendo assim, eu vou continuar com minha cara de rabugenta durante todas as férias, até o dia da minha salvadora viagem ao Canadá, me segurando para não ser quem eu sou, e me encaixando no papel de garotinha certinha, exatamente o tipo de gente que eu acho ridícula e passível de piedade.
Tenho dito. Ou melhor, tenho escrito (com a certeza de que vocês nunca lerão isso, e mais uma vez escondida sob minha falta de coragem).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Despedida


Texto de Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

domingo, 22 de novembro de 2009

Adeus, portanto. (Até logo seria melhor).


Fui levar minha amiga na rodoviária hoje, depois da visita feita por ela na república dessa pessoa que vos escreve, depois de quase dois anos convidando ela para vir, depois de muitos pedidos para o pai dela deixá-la vir. Uma amizade de 13 anos, que conste em ata, por favor.
Não fui a única a me despedir de alguém naquela hora, afinal, depois de um feriado prolongado é entendível e justo que as pessoas viagem para visitar outras pessoas. A minha amiga eu sei que vou vê-la quando for para casa nos finais de semana. Vou vê-la nas férias, e se tudo der certo a verei também muitas vezes aqui nessa mesma república, vindo me visitar. O fato é que muitas daquelas pessoas que também se despediam talvez demorem muito tempo até se reencontrarem. Meses, anos, vai saber.
Eu, pessoalmente, sei o quão triste e dolorido pode ser uma despedida, principalmente se você sabe que o reencontro é incerto, e que talvez possa nunca acontecer. Seja porque a pessoa mora longe – como do outro lado do atlântico, por exemplo -, seja porque não se há tempo nem dinheiro o bastante para viajar sempre, ou seja porque você brigou com a pessoa e não gostaria de vê-la mais. Mesmo no caso da briga, a saudade aperta, pois como se costuma dizer por aí, só perdemos tempo brigando com quem realmente nos importamos. Fato, pelo menos para mim.
Aquela cena de despedidas inúmeras me fez matutar sobre o assunto o caminho inteiro de volta pra casa. Foram durante essas matutações que reparei uma coisa que me deixou, no mínimo, triste e nostálgica. Pessoas que eu gosto acabam indo pra longe. Muito longe, normalmente. E pior do que isso, as vezes só percebo o quanto vou sentir falta da pessoa quando ela está prestes a partir, ou quando já partiu.
Partida é uma coisa foda mesmo! Parte a pessoa, com ela as lembranças e a certeza de uma puta saudade que vai te perseguir dali pra frente, e parte principalmente o coração.
Eu queria muito ter coragem pra procurar as pessoas que partiram da minha vida pra dizer o quanto eu sofro com a saudade. Não de uma forma ruim, mas aquela saudade que me faz lembrar a todo instante das horas maravilhosas que compartilhei com pessoas inesquecíveis. Queria ter coragem também de pedir aqueles prestes a partir para que ficassem, pois sentirei imensamente sua falta, me tornando assim a pessoa mais egoísta do mundo, querendo que todos aqueles que amo fiquem comigo sempre, forever and ever!
É a saudade que me consome; é a SAUDADE e toda sua singularidade que me fazem perceber o quanto eu adoro certas pessoas. É a SAUDADE que me faz agradecer por aqueles que passam pela minha vida.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Eu tô tentando!


Juro que estou sim! Tentando ler mais, estudar mais, me interessar mais, cuidar mais da minha saúde. Mas sinceramente, às vezes bate aquela vontade de jogar tudo para o alto e sair correndo sem rumo. Estou principalmente tentando conter meus desejos, e para isso tenho usado muito a razão, a força de vontade e o auto-controle. Confesso, tá difícil pacas!!
Então queria agora e aqui me desculpar, não com essa ou aquela pessoa, mas comigo mesma. Me desculpar por estar sendo tão desleixada com meus planos, me desculpar pela baixa resistência que tem me feito ir ao hospital várias vezes nos últimos tempos, queria também pedir desculpas por às vezes falar demais, e às vezes não falar, justamente quando mais se precisa das palavras. Peço desculpa também por deixar a tristeza tomar conta, por perder as oportunidades de deixar alguém gostar de mim, por ser rude com as pessoas às vezes e por falar mal de outros seres humanos.
Desculpas por me deixar abater, por não saber o que fazer, por ter medo de lutar. Desculpe-me por ser tantas vezes egoísta, carrancuda e preguiçosa.
Sei que pedir desculpas não resolve muita coisa, não muda o mundo nem as minhas atitudes de um dia para o outro. Mas desculpar-se é uma forma de mostrar que eu sei que tenho negligenciado muita coisa, e principalmente é minha forma de dizer que preciso de ajuda.
Eu quero achar graça na chuva novamente, e não me irritar com ela. Eu quero dar risadas dos meus tropeços e topões, e não amaldiçoar o chinelo ou a quina da mesa. Eu quero de volta muitas coisas, e quero muitas coisas novas também.
Sendo assim, me desculpe, me ajudem e tragam de volta os sonhos bons!!

domingo, 27 de setembro de 2009

Lá se vai a baranga pré-fabricada


Mais um domingo moroso vai acabando, com direito à almoço beneficente e algumas hora de inutilidades na frente do computador. Horas estas que deveriam ter sido gastas fazendo um dito cujo de um resumo, porém...
Anyway, o fato da vez é que eu não estou me sentindo muito eu ultimamente, sacou?! Mas o complicador é que eu não descobri se a Fernanda que eu quero encontrar é a aquela de antes do intercâmbio (tudo bem, essa eu sei que não quero, era muito insossa), aquela do período pós-intercâmbio e cursinho (uma fer que estava reavaliando seus interesses) ou a Fernanda faculdade (aquela que chutou o pau da barraca). Sinceramente, não sei.
E acrescente a isso minha sensação de inutilidade completa como ser humano.

A embaixada brasileira em Honduras é sitiada, tropas americanas se preparam para se instalarem na Colômbia, o Oriente Médio ainda está aquele caos costumeiro, pessoas morrem de fome no continente africano, a avaliação do meu curso de Relações Internacionais na minha faculdade caiu de 4 para 3 estrelas no guia do estudante, o mundo continua cheio de problemas realmente importantes, etc, etc, etc. Enquanto tudo isso acontece nesse mundão de deus afora (sim, deus com letra minúscula), estou eu acá, imersa no meu egocentrismo, querendo que todo o resto se foda, e lamentando que meus problemas são o fim do mundo (apesar de saber que são medíocres, na verdade).

Uma puta sensação de alienação me aponta o dedo na cara agora e me diz sem rodeios: “você é mais um produto do sistema!” (andei estudando sobre Marx na faculdade ultimamente, apesar de não ter absorvido tudo que eu deveria e gostaria sobre ele). Daí a verdade descarada me vem a tona, e mostra, também apontando o dedo na minha cara (coisa que eu odeio, por sinal), que eu só comprei aquele vestidinho lindo e colorido para manter o status quo; ela diz também que muitas das coisas que venho fazendo e maneiras que tenho agido são somente para ser aceita, manter (ou alcançar) a popularidade, ser “gostada” por aqueles que agüentam minha cara todo dia.
Enfim, me sinto como uma Susy tentando ser a Barbie! Uma plastificação da minha humanidade/esquisitice/fernandice/floquice. Mais uma mente pré-fabricada.

Sai da caixa Susy, e assume o cabeção!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A vingança do Yasmim



O título, creio eu, não vai ter nada a ver com as paçocas que irei escrever desse ponto em diante, mas como a forma – e o contexto – que tais palavras foram pronunciadas aqui nesse meu quarto republicano me soaram perfeitas para um título de post, mesmo não fazendo muito sentido, irei colocar esse mesmo.
Já faz pelo menos uma semana que estou ensaiando algo para postar no blog, porém, a velocidade alucinante com que os pensamentos vêm da mesma forma que vão não me permitiu gravar na mente todas as viagens que andam passando pela minha cabeça. De uma forma geral, andei me machucando física e psicologicamente nos últimos dias, o que me fez parar para pensar o porquê de tal tortura. O machucado físico foi um acidente, bem dolorido por sinal, que ninguém poderia prever. Fiquei perdendo meu precioso sangue pelo calcanhar durante grande parte de uma balada, e o que me consola é que pelo menos na hora eu nem senti nada, graças aos efeitos anestésicos do famoso álcool. O machucado psicológico também teve a participação do dito cujo do álcool, só que dessa vez ele anestesiou o bom senso e a razão, me deixando completamente indefesa contra as minhas besteiras cotidianas. É fato que o final de semana foi uma merda.
E quando eu pensei que a semana iria me ocupar com coisas mais úteis que me fizessem esquecer dos problemas álcool-baladistícos, eis que eu estava certa em uma coisa. Realmente fui ocupada com muitas outras coisas, mas estas não conseguiram fazer com que meus devaneios cessassem. Fui tomada por um nível de abstração elevado nos últimos tempos, e está me custando um bom esforço para retornar meus pés o mais perto do chão possível.
O negócio é o seguinte então: não liguem se eu parecer desconexa, disser frases aleatórias, ficar com cara de paisagem (ou de merda) durante o dia inteiro. Estou tendo bad days seguidos, minha auto-estima resolveu passear por aí e me esqueceu pra trás e os neurônios se recusam a seguir qualquer raciocínio lógico. A lua não anda na fase de melhor influência pra essa criatura que vos escreve.

ps¹: a palavra merda não existe no dicionário do meu word, portanto, acabei de adiciona-la, porque a merda faz parte do meu vocabulário – e acontecimentos – diários.
ps²: “a consciência é a parte da psique que se dissolve no álcool.”
ps³: o título realmente não teve nada a ver com a paçoca, considerando que ele surgiu de uma piada interna de humor negro-vingativo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Torrando neurônios


“O problema é que a gente pensa demais...”. Foi o que eu disse a uma amiga enquanto discutíamos as diferenças de cabeça entre as áreas de humanas, exatas e biológicas. Continuo achando que realmente nós, de humanas, pensamos demais. Pensamentos talvez desnecessários, achando sempre complicações em tudo, sempre uma outra alternativa, ou, no popular, estamos sempre na eterna procura do pêlo na casca do ovo.
Já é dito que não se posicionar é também tomar uma posição, e essa idéia me incomoda muito ainda. No começo eu ficava mais confortável em pensar que minha falta de posicionamento claro – leia-se minha inconstância e confusão – era também um meio de me encaixar dentro de alguma discussão. Mas agora o incomodo aumentou, e essa válvula de escape não me parece mais tão reconfortante.
Minhas utopias me parecem cada dia mais utópicas, e quanto às minhas vontades, planos, decisões, também não consigo completar da forma que gostaria. Eu fugi tanto do óbvio, da rotina, da disciplina, que agora parece quase impossível recupera-los, ao mesmo tempo em que tenho a impressão de que o que eu realmente fiz foi me acomodar de vez com todos eles. A semana passa e eu não consigo dar conta de tudo que tenho que fazer, pelo menos não da forma que eu sempre planejo. Estou levando os compromissos e as obrigações nas coxas, como diria minha avó.
E é quando eu já não vejo mais solução que eu faço exatamente isso, escrevo, ou melhor, vomito minhas caraminholas em forma de textos que provavelmente ninguém mais, além de mim, irá ler. E mesmo se ler, não vai entender, e vai me chamar de louca e ridícula. Talvez eu seja mesmo uma louca ridícula que acha que tem potencial para alguma coisa que ainda não descobriu. Eu só queria que esses ímpetos de iniciativa e força de vontade durassem mais do que as horas que eu gasto dentro do ônibus e andando de um compromisso para outro.
Estou com uma daquelas vontades de dormir três dias seguidos, e só levantar para sair pra algum lugar onde eu possa ouvir música, beber e achar que a vida é bela e a juventude eterna. Sinceramente, preciso de injeções de cafeína e ânimo – ou talvez coragem – na veia. “E algum veneno anti-monotonia, e algum remédio que me dê alegria...”, ótimas palavras Cazuza.

domingo, 6 de setembro de 2009

Sanidade à parte...


Véio, ando muito louca ultimamente. Mais do que normalmente sou, se é que isso é possível. É uma mistura de não sei lá oquê, piripaques, siricoticos e muita bizarrice. Louco, não?
Andei reparando também que uma certa galera, quando na hora de se despedirem de mim no msn, vem com aquelas frases do tipo: te cuida, juízo e afins. Será que eu ando tão destrambelhada assim a ponto do povo reparar? Sei lá. Aliás, nesses dias eu não sei de nada, nem por onde andam minhas caraminholas.
Eu quero e não quero. Eu sinto e não sinto. Não sei se caso ou se compro uma bicicleta. Aliás, andei realmente pensando em comprar uma bike pra mim, pra ver se eu animo de pedalar os 5 km que separam minha república da faculdade. Mas, é claro, foi uma idéia passageira, pois logo em seguida eu cai na real e assumi pra mim mesma que, é claro, bastaria uma ida de bicicleta até o campus para que na volta eu desse um jeito de enfiar eu e bicicleta dentro do busão e ficar pensando durante todo o caminho quantos passes de ônibus daria pra comprar com a grana que gastei na dita cuja da bicicleta.
Depois do desvario da bicicleta, eu embarquei em outra viagem, também durante a meia hora de passeio dentro de um meio de transporte público, cujo vulgo é busão. A questão que me surgiu foi a das nuvens. É, nuvens, aquelas bolotas de algodão que sobrevoam nossas cabeças todo santo dia, e nem sempre reparamos nelas. Fiquei indignada e brava comigo mesma por não reparar no céu como eu costumava fazer nos tempos de moçoila. Entrou pra minha não tão pequena lista de metas para a vida: olhar mais frequentemente para o infinito e além, também conhecido como céu e firmamento.
O caso é que o chocolate e o litro e meio de coca-cola ingeridos este final de tarde fizeram efeito madrugada adentro, e a danada da insônia se agarrou ao meu pescoço. Felizmente nada é eterno, e os efeitos da cafeína está começando a passar, fazendo com que o sono me nocauteie já já.
Blá blá blá. Por hoje é só pessoal!

“respira fundo e vai!”

“todos os homens são doidos e, apesar das precauções, só diferem entre si em virtude das proporções…”

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O primo distante do Mickey - Parte II


A partir da constatação de que realmente havia um rato em casa, minha credibilidade escalou alguns degraus e eu pude dizer aquelas palavras que ninguém gosta de ouvir: eu avisei!!
Foi aí que começou a mobilização para o extermínio do invasor. Compramos daquele veneno cor-de-rosa que parece balinha e espalhamos pela casa. O rato chegou a comer bastante do tal veneno, mas mudamos de tática quando a cachorra abocanhou um pedaço de queijo recheado de veneno, o que resultou em uma visita ao nosso vizinho veterinário e seringas de água oxigenada goela abaixo da cachorra.
Mas a gota d’água foi o dia que nosso novo morador quase que me mata de susto, ao entrar na cozinha, com o maior descaramento, justo quando eu preparava um rango com o qual tinha sonhado durante a tarde inteira: um belo mexido de ovos com arroz! Foi o ratinho entrar correndo pela porta que eu abandonei panela no fogo e corri pela mesma porta na direção contrária da do rato, subindo instintivamente no sofá mais próximo e gritando feito uma retardada. Foi realmente a gota d’água. Lançamos mão de uma última cartada, compramos uma ratoeira!
Após várias tentativas e idéias de como se arma uma ratoeira, e depois de me sentir uma completa idiota pelo fato de não saber armar aquele pedaço de metal mecânico, finalmente descobrimos o segredo de armação e montamos a armadilha, com um suculento pedaço de queijo derretido dando sopa no chão da cozinha. Foi tiro e queda, amanheceu e eis que jazia um pequeno cadáver na cozinha, preso no perverso pedaço de metal mecânico.
Confesso que me ocorreu um sentimento de pena por alguns instantes, afinal, já fazia uns dois meses que dividíamos a casa e comida com o pequeno intruso, mas ao mesmo tempo veio a sensação de vitória, após várias batalhas, finalmente vencemos a guerra!
O que realmente me fez lembrar dessa história eu não sei direito, mas o fato é que, analisando agora, o acontecimento me fez pensar em algumas coisas que parecem bobeira do cotidiano. Quando é que eu pensei que teria que achar maneiras de eliminar um indesejado rato da minha casa? Geralmente sempre alguém fez esse tipo de trabalho sujo para mim, seja minha mãe, meu pai, avô. São coisas que ao primeiro olhar parecem ridículas e fáceis de resolver, mas que na prática queimam alguns bocados de neurônios, talvez o mesmo tanto de quando eu tenho que ler um Gramsci ou estudar para o seminário impossível de economia política.
É o tipo de situação que esfrega na sua cara que você não é mais a filhinha da mamãe, que agora tem que se virar sozinha e encarar a loucura nossa de cada dia, seja sorrindo, seja chorando, seja estando partida em milhões de pedaços. Virar gente grande não é só mudar de tamanho, envolve tanta coisa que se você resolver encanar em alguma pode acabar pirando. E talvez seja exatamente isso que acontece quando ficamos adultos, piramos de vez, daí sim ficamos um pouco mais preparados para o que tem lá fora. E é assim que levo essa minha vida louca vida, fazendo escolhas, que sempre significam também uma renúncia ao que não foi escolhido, aprendendo seja pelo amor ou, na maioria das vezes, pela dor.
Pois é, ninguém disse que seria fácil, mas ninguém disse também que, às vezes, poderia ser tão difícil. Enfim, quem disse que ser adulto é moleza?

“Eu choro de rir, falo besteira, penso positivo, e espero que termine.”

O primo distante do Mickey - Parte I


Estava eu acá interneteando no domingo de dia dos pais, depois de encarar um daqueles almoços obesos de família, e não sei por que cargas d’água me lembrei de um episódio, bem longo por sinal, que me sucedeu no primeiro semestre. A odisséia do rato! E já que não estava fazendo nada realmente de útil, resolvi narrar aqui o tal episódio.
Tudo começou em uma bela e fria noite francana, minutos antes de começar o churrasco de estréia da república onde moro. No momento em que a churrasqueira estava sendo acesa, eis que sai um exemplar de roedor de dentro da dita cuja, dribla algumas pernas pelo caminho, até desaparecer no corredor rumo à porta da rua. Esse foi só o começo.
Algumas semana depois, estou eu a colocar ração para a nossa tsunami de estimação, durante a noite, e na volta para a cozinha lá estava a pequena criatura, encurralada na porta do corredor por mim e pela tsunami (que por sinal nem notou a presença do pequeno mickey mouse no caminho). Pra falar bem a verdade, foi eu que me senti encurralada, apesar de ser umas cem vezes maior que o bichinho. E não é que o dito cujo conseguiu se espremer pelo vão do portãozinho e fugir, vão esse que pelos meus cálculos não tem mais que 1 cm e meio. Ninja esse rato, não?
Depois dessa segunda aparição do ratinho, não pense que suas peripécias acabaram. Sua próxima proeza me causou muita indignação devido ao atrevimento do pequeno roedor. Foi depois de uma noite de festejos, não me lembro agora onde, na qual eu voltei pra casa antes das meninas, coloquei pijama, escovei os dentes, me acomodei na cama com o laptop no colo e avistei duas orelhas de mickey me encarando perto da porta. Sim, duas orelhinhas de roedor, que por alguns instantes até que me pareceram simpáticas (talvez seja pelo fato de terem me lembrado o mickey, ou então pelo efeito do álcool na corrente sanguínea). Mas esses foram instantes muito breves, seguidos pela reação de agarrar o edredom e travesseiro com um braço, o laptop com o outro, e sair o mais rápido possível do meu aconchegante quarto. E o pior de tudo foi ninguém ter acreditado na minha visão, alegando que eu estava bêbada e que na verdade eu tinha visto uma lagartixa. É, uma lagartixa peluda e que parecia com o Mickey Mouse! A única que acreditou em mim foi a nossa bixete (caloura), que alegou ter visto o rabo do ratinho safado. Mas isso não me deu mais créditos, pois ela também estava igual ou pior no grau do que eu.
Atalhando a história, e percorrendo algumas semanas depois, quando até eu mesma estava quase me convencendo de que o que tinha visto era só uma lagartixa bizarra ou talvez uma ilusão de óptica, eis que uma de minhas companheiras de república faz uma descoberta que acarretaria na segunda parte da história, vestígios de que realmente um roedorzinho habitava nosso lar doce lar: seus pacotes de biscoitos estavam roídos e havia fezes de rato dentro do guarda roupa!
To be continued...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Êta vida...de porco


Quando eu pensei que ela estava chegando ao seu fim, lá vem a danada da tal gripe suína (ou, nas palavras talvez não tão entendidas da minha prima, influenza A) e prorroga as tediosas férias. Sim, isso para mim foi uma má notícia, péssima, por sinal. Eu sei que soa estranho não comemorar o fato de ter mais tempo para fazer nada, mas é que se as coisas continuarem tão paradas assim, eu vou pirar de vez.
Enquanto eu ainda não piro definitivamente, eu ando treinando para tal proeza. O treinamento é simples e não requer esforço físico, basta pensar, bastante, de preferência em assuntos que parecem não terem solução possível. Eu, por exemplo, fico lembrando de um, sinto saudade e choro pelo outro, desejo um terceiro, e fico também montando o banco da reserva. Meu coração anda bastante leviano ultimamente. Mas no final das contas, eu estou é sozinha agora, pelo menos teoricamente. Nessas horas eu queria ser uma avestruz, pra esconder a cabeça num buraco, ou um tatu também serve, daí daria para esconder o corpo todo debaixo da terra, e ficar lá matutando minhas bizarrices.
E atenção espíritos de porcos, cuidado com a gripe suína!


“Êta vida, êta vida de cão, a gente ri, a gente chora, a gente abre o coração...”

domingo, 19 de julho de 2009

Dia de limão


Tem dias que nem a gente mesmo se agüenta. Hoje é um desses dias para mim. Estou mais azeda que limão verde, e pra ajudar, andei descontando em algumas pessoas. A culpa não é minha, pois eu estava quieta no meu canto, fuçando as minhas bagunças e andando de um lado pro outro feito zumbi, de pijama e falando com meus botões. Estava tudo certo, meu mau humor cozinhando comigo e um domingo chato, como a maioria dos domingos. Mas aí é que vem alguém pra cutucar, me fazer sair de casa com todo meu azedume do dia. E aí é que não prestou né.
Ninguém entendia meu humor negro, e eu não entendia a mania das pessoas, na vã tentativa de se enganarem, de quererem ser perfeitas. Perfeição, por sinal, medíocre, apática e retardada. Eu realmente ainda não saquei qual é a de certas pessoas que querem ser exatamente o que todos querem que elas sejam: mais uma cabeça – vazia – na multidão. Enfim, me perdi no meu veneno.
A questão aqui é o meu mau humor, que já me fez distribuir algumas patadas hoje. As pobres criaturas que tem a má sorte de me rodearem nesses sombrios dias de limão não têm culpa do que seja lá o que for que está se passando comigo, mas elas também ainda não aprenderam que em tais dias, ao menor sinal de azedume, o melhor é manter a distância e nem sequer me dirigir a palavra, só em casos de extrema necessidade – extrema necessidade mesmo!
Hoje, por exemplo, um domingo extremamente propício para ficar do dia inteiro enfurnada em casa, de pijama, remoendo os problemas e resmungando pelos cantos. Melhor ainda se puder fazer tudo isso sem ninguém por perto. O prazer de me auto-aborrecer é indescritível, pois assim eu me pentelho, e eu levo a patada, sem nenhum dano a terceiros. Seria perfeito, se não fosse a insistência das pessoas para me tirar da toca e consequentemente tornar o mau humor ainda maior.
Estou insuportável hoje, extremamente irritável e fazendo a maior birra com a vida. O que me consola é que o dia está acabando, e meu desafio é me manter longe de qualquer ser da raça humana, até a fase limão passar. Só preciso me concentrar na minha chatice.

sábado, 11 de julho de 2009

Tédio

Eu tenho atualmente dois celulares. Hoje é sábado. Nenhum dos dois celulares deu algum tipo de sinal de vida, seja uma chamada, uma mensagem. Aliás, minto, tinha quatro ligações perdidas. Todas da casa dos meus avós, e certeza que era minha mãe ligando de lá para saber se eu ainda estava na internet, o que ela confirmou ao constatar que a linha do telefone fixo estava ocupada, afinal, infelizmente, não convenci minha mãe a evoluir para banda larga, o que me condena a internet discada todas as férias. É sábado, é férias. Está chovendo, e eu estou achando tudo um tédio. Tem alguma coisa errada na história.

Férias, na minha infância – que me parece ainda mais distante agora que completei vinte anos – significava bons tempos. Assistir televisão até os olhos doerem, brincar na rua, no quintal da casa dos meus avós, sair pra tomar sorvete, enfim, fazer todas aquelas coisas que não me eram permitidas em tempos de aulas. Daí eu fui crescendo, virando mocinha, me interessando por outras coisas e tal. A graça das férias agora era ir pra casa das amigas fofocar, comer e assistir filme, quando não ficar na internet vendo coisas inúteis, pois ainda não havíamos entrado na era orkut para fuçar vida alheia. A fase de mocinha teve uma segunda parte também, aquela que saia para os barzinhos com as amigas – as mesmas das fofocas e filmes - e não bebia, seja por não ter idade ou por simplesmente não ser adepta ainda ao álcool, ficávamos simplesmente tomando coca-cola, comendo e observando as pessoas que podiam beber se divertindo de verdade.

E agora tenho os meus vintes anos nas costas, faço faculdade fora, tenho idade para beber, estou de férias e até sei cozinhar, porém nada disso teve alguma relevância na hora de arranjar alguma coisa decente para fazer nesse sábado chuvoso. Só comi e fiquei na frente do computador a maior parte do dia, vendo coisas inúteis, como nos tempos de mocinha. As férias já não são mais as mesmas, triste constatação. Hoje em dia preciso de coisas alternativas e realmente interessantes pra me fazer tirar o pijama e ousar por o nariz fora de casa. Virei uma adulta chata, e por mais que a palavra adulta me assuste, é exatamente isso que sou hoje, nesse momento. Adulta e chata. Entediada, desiludida, carente e com frio (culpa da maldita preguiça que me impede de levantar e ir buscar um moletom). E pra completar, a danada da cachorra dorme durante cinco minutos – ronca - e depois acorda, cheia de energia pra me pentelhar, mantendo esse ritmo de dormeacordamepentelhadormedenovo a mais ou menos duas horas. Se ela pelo menos fosse pequena...

Droga, eu realmente esperava alguma coisa do meu primeiro sábado à noite das férias de julho. Droga.


ps: primeiro post falando de tédio não era exatamente o que eu tinha em mente, mas já que o tema foi o pontapé inicial para a criação do blog, fazer o quê!