Final de semestre, mais uma vez. Fui lá e deixei tudo pra última hora, mais uma vez. Comprei mais café, mais remédio pra dor de cabeça e o de cólica também. Fiz um cronograma que não segui, mais uma vez. Fiz as provas, alguns dos trabalhos, e estou por fazer os outros, afinal, já é dezembro e eu quero férias – ou não.
Chorei mais uma vez, pelo mesmo motivo que das últimas outras vezes. Passou, até porque o motivo quer que tudo volte a ser como antes, como no tempo que eu não chorava. Ainda não dá pra fazer isso, porque eu descobri e lembrei que ainda tenho vontade de chorar, às vezes, pelo tal do motivo. Enfim, acho que não passou.
Estou irritada, final de semestre. Não quero mais isso onde estou, pois me irrita. Me dá dor de cabeça e ânsia de fugir.
Frases curtas. Muitos pontos finais. É que eu precisava rabiscar um pouco, sem florear tanto. Sem conectores, sem encher de verbos e advérbios. Só o infinitivo. Infinito, mas não dura. Daí que eu ainda tenho os trabalhos pra fazer, e final de ano sempre acumula problemas.
É muito tempo, ou quase nada. O último ano de faculdade tá aí, e eu com orientador já. Não realizo que é último, não parece ser já agora depois desse ano novo. Sabe, de tanto pensar parece que eu não sei, não sei de nada, não penso nada e ninguém me escuta e ninguém me entende.
Me deixa fugir em paz, só isso. Eu não quero mais brincar de ficar irritada e desesperada. Também não quero mais chorar. Talvez tenha chegado a hora do sim, ou do não. Tem que ir, ficar assim é que não dá. E o talvez também perturba, mesmo sendo melhor que um não.
Assim, vou passar mais um café, pra acordar. Mas só amanhã de manhã, porque agora eu quero dormir.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A vida é uma milonga

Nunca antes de tudo acontecer havia passado pela sua cabeça, nem por um momento, a idéia de que tudo isso poderia acontecer.
Simples assim, antes de tudo não era nem uma intenção.
Depois de tudo virou sua principal matutação, a causadora das loucuras, das borboletas no estômago, da raiva, dos dias sem conseguir comer, das mãos trêmulas prontas para afagar ou estrangular, do disparo do coração, da cegueira temporária e da certeza de ter toda a razão do mundo. Ela tinha, talvez não a razão do mundo, mas uma razão suficiente. Ainda tem.
Um disparate, ela sabia.
Ela não quis, no início. Depois, provou, e continuou não querendo, foi estranho e ruim. Aí é que não se sabe exatamente em que ponto do enredo a milonga começou a ritmar. O descompasso se acertou, para ela, e tudo começou a sonorizar melhor.
Mas a milonga não era só dela.
Toda a festa era uníssona. Escutavam a mesma música, todas elas, e o que antes podia nem ser uma intenção, se rodopiava e acontecia, bem ali no meio da arena.
Agora, toda ação sua era dolente. Se arrastava numa mescla de vontade, indecisão, raiva e devaneios. E acabava como antes, ritmando novamente.
O caso é que o desenrolar da história acontecia só pra ela, ninguém mais acompanhava, ninguém mais se entendia. O que antes nem era intenção tombou pra ser alguma coisa que lembrava uma dor no estômago com um ataque de nervos. Pra ela, ‘milongou’ o caso.
Pra todos os outros, para a outra parte da história, tudo continuava sem som. Nunca havia existido nem violão dolente, nem milonga, nem ritmo. Bom, talvez o ritmo sim, isso sim existiu, mesmo no estúpido silêncio.
Foi assim que o rádio desligou, a festa apartou, o violão se retirou e a milonga emudeceu.
Um disparate, ela sabia. Sozinha, ela resolveu esperar a próxima festa, o próximo ritmo.
Mas uma boa milonga nunca há de se esvair.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Juntando e misturando (ou: merda no ventilador)

A gente tem que construir tudo na vida, sejam construções materiais ou, e principalmente, emocionais. Não se pode comprar amizade ou amor no supermercado, nem o perdão. Da mesma forma não podemos jogar no lixo a traição quando estamos cansados dela.
Construir é difícil, leva muito tempo às vezes, e às vezes são construções que não valem a pena, deixam a desejar. Mais difícil ainda – e doloroso – é quando se necessita desconstruir. Quando o vento leva tudo não dói tanto quanto ter que botar abaixo por decisão própria tudo aquilo que deu tanto trabalho pra ser erguido.
Para muitas pessoas, é um construir delicado e cheio de curvas tortuosas, lascas cortantes e tombos fenomenais. Normalmente isso nunca chega ao final, já que tudo é dinamismo nessa vida, nada simplesmente estanca.
Por isso dói tanto desconstruir. Mas muitas vezes parece a melhor solução, para que seja possível pelo menos tentar construir algo novo, e menos doloroso e que não precise ser desconstruído.
Isso é meu desconcerto com o mundo.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Um pouco de sossego

É necessário dar um tempo, uma vez ou outra. Dar um tempo das preocupações, dos sofrimentos, dos amores platônicos, do passado, do presente e das confusões. Dar um tempo da gente.
Agüentamos a nós mesmos todo dia, toda hora, minuto e segundo. Cansa, dá dor de cabeça, dor nas costas e muitas outras reações adversas. Faz mal. Às vezes merecemos um pouco mais de paz e menos cagada. Às vezes, pelo menos.
Jogar uma real faz bem, uma vez ou outra.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Vergonha à parte...

Nada de novo debaixo do sol. E assim caminha minha rotina, com passos de formiga e sem vontade. Bateu uma preguiça de existir nos últimos dias que eu não ando mais, me arrasto. Sem contar que algumas coisas fugiram ao controle, e eu me ferrei por conta de distrações no caminho.
Estou com um sentimento de que vou perder uma coisa que eu queria muito, aliás, ainda quero, e ao invés de correr atrás eu estou simplesmente deixando passar. Shame on me!
Enquanto isso eu vou procurando um jeito de fugir de tudo, pra um lugar bem longe, por tempo indeterminado.
Talvez seja uma nova crise de identidade, tempo de mudanças. Talvez seja só TPM, o que dá na mesma.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Paciência?!

E assim toda a raiva do mundo se concentrou nela. Tá, agora respira.
Respira, porque de resto não vai dar pra fazer nada mesmo, considerando que estrangular as pessoas é moral e legalmente errado. Daí que ela ficou fula da vida, mais uma vez, e achou tudo uma grande injustiça, até mesmo o mais medíocre dos detalhes. Medíocre uma ova – ela pensou. Parecia até pirraça da sorte, destino, de todas essas coisas que ela sempre teimou em contrariar.
E daí que tudo sempre resolve acontecer de uma só vez? Daí que o mundo não podia ser mais maquiavélico do que estava sendo, fazendo tudo de ruim incidir numa só bofetada. Nessa lógica, será que as coisas boas durariam por mais tempo depois de todo esse redemoinho? Não havia otimismo e fé que a fizessem acreditar nisso. Não mesmo, viu.
Agüenta aí minha filha, pior que está não fica. (Não seja besta desafiando a sorte assim, sua insolente!).
sábado, 24 de julho de 2010
Overdoses

Eu queria uma overdose.
De Chico, de alegrias
de sorrisos, de abraços sinceros.
Uma overdose de viagens, lembranças, sensações boas.
De um bom café, uma boa comida e um bom capuccino.
Queria uma overdose carinho, de amigos reunidos, de histórias pra contar.
Overdose de amores, de palavras, de silêncios.
Overdose de paz.
Overdose de olhares.
Overdose de mãos.
Overdose de emoção.
Quero uma overdose de algo mais além da rotina. Algo mais que não sufoque.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Então acabou que não virou.

escrito em 26/05/2010
Hoje jogando conversa fora durante o intervalo, só adiando a hora de entrar de novo na sala onde a aula já havia sido retomada, comentei que tem dias que meu foco está entre lugar nenhum e a puta que pariu. Eis que um colega acadêmico ficou se perguntando onde seria entre lugar nenhum e a puta que pariu. Pois é, quando ele estiver lá, vai saber.
Depois de passar umas duas semanas concentrando minha pessoa para não deixar meu foco fugir para o mencionado lugar, estou eu aqui mais uma vez escrevendo “tonterias” em vez de estudar o que deveria. Ou seja, lá se foi meu foco pro paraíso dos desatentos!
Não sei quanto ao resto do mundo, mas pra mim concentração é uma coisa que requer muita força de vontade para atingir. Ou melhor, concentração naquilo que eu deveria concentrar requer um esforço quase sobre-humano desse cérebro assimétrico que reside aqui dentro.
E mais um final de semestre se aproxima, o corpo implora por cafeína e aquela sensação de “agora fodeu” vem se aproximando sorrateiramente. E então acabou que o que poderia me tirar do tédio e dessa saudade mardita que me acompanha, não virou! Aliás, virou, mas foi do avesso.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Hoje é dia de vomitar as caraminholas


*Originalmente escrito em 06/02/2010; postado somente agora devido ao fato de ter me lembrado do login do blog dia desses.
A vontade foi e voltou várias vezes; agoniou-me quando queria sair desesperadamente; e fez como se nunca mais fosse voltar depois. Mas não me abandonou.
Eu é que fiquei muito ocupada pra deixar a vontade sair. Fiquei mais ligada no que estava por fora e deixei de lado o que se embola aqui dentro. E muita coisa aconteceu nesse por fora, e graças a essas coisas cá estou eu tendo revertérios com as minhas matutações. Por fim, eu guardei a vontade, de escrever, pra poder realizar todas as outras. Eu me permiti.
E de uma coisa eu sei: esses estão sendo dois meses muitos loucos.
Dois meses que deixarão uma puta saudade!
**Deixaram uma das melhores saudades que eu já tive!
Assinar:
Postagens (Atom)