
“O problema é que a gente pensa demais...”. Foi o que eu disse a uma amiga enquanto discutíamos as diferenças de cabeça entre as áreas de humanas, exatas e biológicas. Continuo achando que realmente nós, de humanas, pensamos demais. Pensamentos talvez desnecessários, achando sempre complicações em tudo, sempre uma outra alternativa, ou, no popular, estamos sempre na eterna procura do pêlo na casca do ovo.
Já é dito que não se posicionar é também tomar uma posição, e essa idéia me incomoda muito ainda. No começo eu ficava mais confortável em pensar que minha falta de posicionamento claro – leia-se minha inconstância e confusão – era também um meio de me encaixar dentro de alguma discussão. Mas agora o incomodo aumentou, e essa válvula de escape não me parece mais tão reconfortante.
Minhas utopias me parecem cada dia mais utópicas, e quanto às minhas vontades, planos, decisões, também não consigo completar da forma que gostaria. Eu fugi tanto do óbvio, da rotina, da disciplina, que agora parece quase impossível recupera-los, ao mesmo tempo em que tenho a impressão de que o que eu realmente fiz foi me acomodar de vez com todos eles. A semana passa e eu não consigo dar conta de tudo que tenho que fazer, pelo menos não da forma que eu sempre planejo. Estou levando os compromissos e as obrigações nas coxas, como diria minha avó.
E é quando eu já não vejo mais solução que eu faço exatamente isso, escrevo, ou melhor, vomito minhas caraminholas em forma de textos que provavelmente ninguém mais, além de mim, irá ler. E mesmo se ler, não vai entender, e vai me chamar de louca e ridícula. Talvez eu seja mesmo uma louca ridícula que acha que tem potencial para alguma coisa que ainda não descobriu. Eu só queria que esses ímpetos de iniciativa e força de vontade durassem mais do que as horas que eu gasto dentro do ônibus e andando de um compromisso para outro.
Estou com uma daquelas vontades de dormir três dias seguidos, e só levantar para sair pra algum lugar onde eu possa ouvir música, beber e achar que a vida é bela e a juventude eterna. Sinceramente, preciso de injeções de cafeína e ânimo – ou talvez coragem – na veia. “E algum veneno anti-monotonia, e algum remédio que me dê alegria...”, ótimas palavras Cazuza.
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