quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sobre o perdão

Você está na internet, como sempre, e depois de abrir as páginas cotidianas que o navegador já sabe de cor, resolve abrir uma nova aba e pesquisar no Google: como perdoar. Então você se lembra de todas as outras coisas afins que já pesquisou no mesmo Google. Perdão, como superar traições, como se vingar, como melhorar sua autoestima, como não ser trocada, sobre o perdão.
E encontra o mesmo do mesmo sempre.
O modo aleatório do ipod parece que sabe sobre seus encucamentos e escolhe aquelas músicas que te fazem pensar, repensar e trepensar tudo de novo. E relembrar.
Trazer à tona memórias que parecem nem serem tão memórias assim ainda. Lembrar daquela paz que um dia você jura que chegou a sentir, do sossego e da balbúrdia do coração disparando, do colo e do sorriso, e dos olhos enredados num olhar sem fim. Era como se pudesse ficar ali presa naquele olhar para sempre, só admirando e deixando aquela coisa estranha e quente e boa de se sentir.
Nada de bom aconteceu depois. Essa é a parte que sua cabeça agrega o lado ruim de todas essas lembranças, o lado que conta as traições e te faz lembrar que aquele olhar nunca foi só seu. Nunca foi seu. Nunca foi.
Você não é daquelas criaturas que relevam com facilidade, que fingem que não estão vendo e seguem. Pra você as coisas entalam na garganta e nunca mais saem. Nunca mais, porque você guarda rancor, não esquece e não perdoa. E você sabe disso, sabe o quão imperdoável certas coisas são para você. Descobriu sozinho nas vezes que se ensimesmou e só saiu disso quando achou que tinha se esclarecido o bastante sobre você mesmo. E da forma mais bela que encontrou, conseguiu se perdoar do jeito que achava que o perdão devia ser.
E por essas e outras é que nunca esperou que tivesse que ensimesmar de novo, dessa vez tropicando numa complexidade alarmante. Você sabe o que quer, você sabe. Mas a cada ensimesmada cresce a dificuldade de se perdoar.
E o perdão se tornou muito complexo. Não é esquecer, não é relevar, não é remoer até cansar de sofrer. Não é isso e pronto.
Talvez você goste de sentir essa dor esquisita sobre aquilo que um dia te fez feliz. Talvez você tenha regredido e não saiba mais como se perdoar. Talvez o perdão não deva ser dado, e afinal você está certo sobre os malfeitores da vez. Talvez o perdão nem exista.

Mas talvez você só queira poder perdoar de verdade, não pelo outro, não para dizer que é uma pessoa melhor e que se libertou da dor, não para enterrar no passado as traições. Talvez, só talvez, você queira perdoar para tentar sentir aquela sensação esquisita de plenitude e paz, para poder se enredar no mesmo olhar, e ser perdoado pela sua incapacidade de perdoar. Porque sobre o perdão ninguém sabe nada de qualquer maneira.




sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mais um dia daqueles muitos dias

Eu vou e volto, sempre me esqueço mas acabo me lembrando da senha e login desse blog. Bom, desse meu único blog. Quando eu percebo que já está ficando vergonhoso expor as mazelas em feicebuques e tuiter da vida, é pra cá que eu venho, quase sempre sem saber o que fazer com isso aqui. 

 O caso é que sempre vem essa coisa de escrever quando estou desgambelada pros lados da tristeza. Quando eu acho que estou feliz eu nem acho que tenho blog. Veja bem, quando eu ACHO que estou feliz, porque esse negócio de ficar feliz é mais complicado do que eu achava. É fugaz, como diria o poeta (deve ter algum poeta que diz isso...). 

 Alegre, feliz, alegre, feliz, alegre, infeliz. 
A plenitude é uma fábula sem happy endings. 
E a gente só percebe sempre da pior maneira. Eu, pelo menos, só quando já gastei toda a insanidade e todas as palavras e atos mais desbocados que vivem em mim, só depois desse ponto, é que percebo que tudo já foi, que só sobrou eu bradando pro infinito e além. E eu brado com muita raiva, até cair sem forças no chão. Depois, ainda brado mais um pouquinho, e encarno o Dom Casmurro que sempre viveu aqui dentro. 

 Pelo menos o pôr-do-sol visto do quintal da minha casa continua lindo, assim como as noites de luar. 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pedido

Universo, deus, destino, vida (ou o responsável no comando), um pedido: Troco qualquer paixão, amor, romance que me tenha sido programado por uma vaga no mestrado - com bolsa - e um foco mais bem focado na carreira e em mim. E que esse seja um degrau na escada rumo ao Itamaraty. Peço que não me deixe me doar sem ter nada em troca, me perder sem ter um bom caminho perdido pra seguir. Peço mais cabeça e quase nada de coração, só o básico mesmo do amor para que eu possa dedicar a devida atenção à família e amigos. Amigos, continue mantendo os de verdade verdadeira perto e com saúde e dinheiro e alegrias. Alegrias, que estas inundem os dias de cansaço e de preguiça, assim como os de trabalho e estudos e coisas produtivas. O barquinho tá pronto de novo. Tô carregando com os suprimentos básicos e necessários. Dessa vez eu vou só. Algo como fé e esperança misturadas na bagagem. Não quero ninguém pulando de gaiato e me roubando a - pouca - sanidade. Me recuso a baixar a guarda. E pra quem ficou, mentiria se dissesse que desejo o bem. Só peço que receba tudo de volta, em dobro (esse tudo é tudo de mal e mentiroso que foi criado). Se algum dia essa raiva passar, eu volto a desejar algo menos pior. É isso. Começa a rodar de novo que eu tô recomeçando a recomeçar.