Eu tenho atualmente dois celulares. Hoje é sábado. Nenhum dos dois celulares deu algum tipo de sinal de vida, seja uma chamada, uma mensagem. Aliás, minto, tinha quatro ligações perdidas. Todas da casa dos meus avós, e certeza que era minha mãe ligando de lá para saber se eu ainda estava na internet, o que ela confirmou ao constatar que a linha do telefone fixo estava ocupada, afinal, infelizmente, não convenci minha mãe a evoluir para banda larga, o que me condena a internet discada todas as férias. É sábado, é férias. Está chovendo, e eu estou achando tudo um tédio. Tem alguma coisa errada na história.
Férias, na minha infância – que me parece ainda mais distante agora que completei vinte anos – significava bons tempos. Assistir televisão até os olhos doerem, brincar na rua, no quintal da casa dos meus avós, sair pra tomar sorvete, enfim, fazer todas aquelas coisas que não me eram permitidas em tempos de aulas. Daí eu fui crescendo, virando mocinha, me interessando por outras coisas e tal. A graça das férias agora era ir pra casa das amigas fofocar, comer e assistir filme, quando não ficar na internet vendo coisas inúteis, pois ainda não havíamos entrado na era orkut para fuçar vida alheia. A fase de mocinha teve uma segunda parte também, aquela que saia para os barzinhos com as amigas – as mesmas das fofocas e filmes - e não bebia, seja por não ter idade ou por simplesmente não ser adepta ainda ao álcool, ficávamos simplesmente tomando coca-cola, comendo e observando as pessoas que podiam beber se divertindo de verdade.
E agora tenho os meus vintes anos nas costas, faço faculdade fora, tenho idade para beber, estou de férias e até sei cozinhar, porém nada disso teve alguma relevância na hora de arranjar alguma coisa decente para fazer nesse sábado chuvoso. Só comi e fiquei na frente do computador a maior parte do dia, vendo coisas inúteis, como nos tempos de mocinha. As férias já não são mais as mesmas, triste constatação. Hoje em dia preciso de coisas alternativas e realmente interessantes pra me fazer tirar o pijama e ousar por o nariz fora de casa. Virei uma adulta chata, e por mais que a palavra adulta me assuste, é exatamente isso que sou hoje, nesse momento. Adulta e chata. Entediada, desiludida, carente e com frio (culpa da maldita preguiça que me impede de levantar e ir buscar um moletom). E pra completar, a danada da cachorra dorme durante cinco minutos – ronca - e depois acorda, cheia de energia pra me pentelhar, mantendo esse ritmo de dormeacordamepentelhadormedenovo a mais ou menos duas horas. Se ela pelo menos fosse pequena...
Droga, eu realmente esperava alguma coisa do meu primeiro sábado à noite das férias de julho. Droga.
ps: primeiro post falando de tédio não era exatamente o que eu tinha em mente, mas já que o tema foi o pontapé inicial para a criação do blog, fazer o quê!
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